As  estrelas da semana

As estrelas da semana

Os resultados da 11ª edição do Sommelier Wine Awards, foram conhecidos esta semana.

Nesta edição foram provados aproximadamente 3.000 vinhos, foi feita a maior contagem de medalhas de sempre e participaram 120 empresas on-trade.

As provas são cegas e por categoria, com uma seleção restrita de preço/qualidade. Entre os jurados deste concurso estão vários sommeliers de restaurantes e hotéis Ingleses, os jurados são do on-trade para o on-trade.

As nossas estrelas foram o Quinta do Espinho Colheita 2013 e Quinta do Espinho Reserva 2011, vinhos que foram premiados com medalha de ouro e bronze respectivamente.

O Quinta do Espinho Colheita 2013

Produzido com as castas Touriga franca, Tinta roriz e Tinta barroca, envelhecido em cascos de carvalho francês durante 6 meses. Os comentários dos jurados foram:

“Spring Restaurant’s Antoine Cabre enjoyed this Gold winner’s ‘lovely, attractive nose with nice freshness, a sharp attack but fresh and fruity character, and well-balanced spices’, while team leader Annette Scarfe MW also found it ‘juicy and spicy, with a warming finish but soft and structured, ripe tannins’. Cavalry & Guards Club’s Andre Luis Martins found ‘rich cherry notes with some meaty character, too’, while team leader Lionel Periner recommended this be paired with duck.”

O Quinta do Espinho Reserva 2011

Produzido com as castas seleccionadas da Quinta predominando a Touriga nacional, Touriga franca e Tinta roriz. Sendo um vinho com um grande potencial de envelhecimento. Os comentários dos jurados foram:

A ‘lovely example’, began team leader Annette Scarfe MW, who found ‘ripe black and red fruits with soft, ripe tannins and a juicy mid-palate’, while Spring Restaurant’s Antoine Cabre highlighted ‘lovely pepper and berries, and a good, complex palate style’.

Muito obrigado à Portuguese Fine Wine Co, distribuidora dos nossos vinhos no mercado inglês.

Poda e “Retancha”

Poda e “Retancha”

A poda e a retancha na Quinta do Espinho, começaram em dezembro e acabaram em fevereiro.

A poda é o corte controlado das varas para retirar a matéria lenhosa não produtiva e definir os pontos (tornos) onde se irão desenvolver os novos rebentos que, por sua vez, darão origem a novas varas.

Ajuda ao equilíbrio entre as funções vegetativa e produtiva da videira na medida em que limita o número de varas e cachos a desenvolver, sendo das tarefas na vinha que mais impacto tem na quantidade e qualidade da produção.

Apenas como curiosidade, refira-se que a poda poderá ser diferente consoante as características das diferentes castas.

Quando a vinha foi constituída foi fundamentalmente formada com base numa formação em cordões bilaterais (6 tornos), porque havia dois valados ou linhas de vinha. A evolução para patamares com apenas um valado permitiu a mudança para cordões unilaterais (4 tornos). Mais recentemente, tem-se vindo a regressar à tradicional poda em sistema Guyote (6 tornos), como é o caso da vinha de tinta Francisca.

A retancha é a replantação de videiras e este ano não chegou aos 2% das quarenta e cinco mil cepas da quinta. A retancha ficou a dever-se principalmente ao declínio de videiras muito velhas e menor maturidade de outras.

 

Vindima 2016

Vindima 2016

Como em anos anteriores, o processo de vinificação na Quinta do Espinho inicia-se na vinha, com o corte e transporte das uvas em caixas de 25-kg que garantem a sua integridade, estendendo-se à selecção, desengace e pisa ou esmagamento em lagar ou em cubas de aço inoxidável. Segue-se a fermentação do mosto durante um período de cerca de 7 dias, a temperatura controlada e posterior prensagem e encuba.
Posteriormente, o bagaço da uva é destinado à produção limitada de uma bagaceira de muito elevada qualidade.
O reforço das características naturais do nosso “terroir”, feito através da manutenção de orlas de mato e de áreas de pomar e produção silvícola, expressam-se no nosso vinho, no azeite e no mel.

Maturação óptima das uvas (vinha velha)

A decisão de iniciar a vindima é tomada poucos dias antes do seu início.
A avaliação e controlo da maturação ideal é decisiva para produzir vinhos de elevada qualidade. De casta para casta e mesmo uvas da mesma casta têm diferentes maturações consoante o local e a exposição.

Distribuição prévia das caixas de recolha e transporte de uvas pelos patamares das vinhas

Na preparação da vindima são distribuídas caixas plásticas de 25-kg ao longo da linha da vinha. Depois de carregadas com uva, estas caixas são recolhidas e transportadas pelo tractor para a protecção da adega.
Antigamente, de sol a sol, patamar a patamar, a recolha e transporte de uvas era feita exclusivamente de forma manual com homens a carregar com cestas de vime com 70-Kg de uvas às costas.

Trabalho manual de corte da uva para o balde

As uvas vindimadas são despejadas em pequenas caixas arejadas de 25-Kg, de modo a que não sejam esmagadas pelo seu próprio peso e a manterem-se frescas (ou é de imediato desencadeada a sua fermentação natural).
Em vez da mão e navalha de antigamente, actualmente utilizam-se as luvas e a tesoura de poda, durante o corte manual das uvas para pequenos baldes. O terreno em socalcos previne o uso da colheita mecanizada da uva. Além disso, a vindima manual garante que, através do conhecimento e discernimento do trabalhador, é efectuada a pré-seleção dos cachos a colher.
À sombra da videira e pronta a ser recolhida pelo tractor.
Recolha e transporte de uvas, em pilhas de caixas desenhadas para a sua protecção e transporte.

Tinta Roriz à entrada na adega

Uva preparada para o desengace e entrada no lagar. O período de tempo que decorre entre o corte das uvas e a sua entrada no lagar é o mínimo possível.

Fermentação em lagar

Privilegiamos a combinação de método tradicional de vinificação com o controlo de temperatura, em lagares com as mais modernas tecnologias. A fermentação estende-se por um período de cerca de 7 dias, seguindo-se-lhe a encuba e o estágio do vinho. Os nossos vinhos reflectem os investimentos feitos na recuperação dos velhos lagares e numa nova adega.

Como tantos outros anos de menor produtividade deram origem a vinhos excepcionais, acreditamos que 2016 será um destes!
Step by step

Step by step

Foi há mais de 30 anos que se iniciou o projecto para a recuperação da Quinta do Espinho, na foz do Távora com a margem esquerda do Douro. A quinta entra agora na fase de afirmação do seu vinho, um vinho moderno mas que faz jus à melhor tradição do Douro.

Foi já em 1985 que um dos ramos da família Macedo Pinto de Tabuaço, resolveu pôr em prática um plano de recuperação da Quinta do Espinho. Nos mais de 30 anos que decorreram desde então, muito mudou, e para melhor: ao invés da quinta a monte, e dos mortórios que a filoxera deixou, a propriedade passou a possuir 20 hectares de vinha produtiva, organizada em parcelas monovarietais, com as melhores castas tradicionais do Douro.

Em paralelo com a qualidade da vinha, actualmente o dia-a-dia da quinta é pautado pelos princípios de uma gestão sustentável, pela manutenção de corredores de compensação ecológica e de aumento da biodiversidade, de áreas de pomar, hortas e orlas de mato.

Actualmente, todo o vinho da nossa quinta é vinificado na nossa própria adega (recuperada e restaurada à imagem da traça original do século XVIII), com recurso às mais modernas tecnologias do vinho, e com o rigoroso acompanhamento do nosso enólogo.

Porque este é um projecto para décadas, chegou o momento da nova geração abraçar e dar continuidade ao desafio de há 30 anos. Juntas, estas duas gerações confiam que o trabalho ao nível das uvas, terroir e práticas vitivinícolas já se reflecte em vinhos com a complexidade e riqueza do perfil característico do Douro, e que o fundamental e estratégico para o seu sucesso é potenciar sinergias com entidades externas e com outros produtores.

Este é o novo desafio!

Seis Gerações

Seis Gerações

Incluída na demarcação de feitoria que se fez em 1757, segundo o modelo idealizado para o Douro vinhateiro pelo Marquês de Pombal, a Quinta do Espinho é hoje propriedade dos irmãos Joaquim e Alberto, da família Macedo Pinto de Tabuaço.

Desde pelo menos o século XVII que a família Macedo Pinto está associada à vitivinicultura do Douro e à produção de vinho de embarque, como se apelidavam os Vinhos do Porto.

Estendendo-se ao longo das margens do rio Távora, subindo da quinta até Tabuaço, sobre as quintas desta família dizia-se tratarem-se das melhores e mais extensas áreas de vinha de Portugal, poucas se lhe podendo comparar no estrangeiro (PINHO LEAL, Augusto Soares d’Azevedo Barbosa de, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873], tomo 9, págs. 466-475).

Especialmente acarinhado na memória da família é o Avô Vítor de Macedo Pinto. Nasceu em 1869, foi médico, proprietário e republicano destacado, tendo sido Presidente da Câmara Municipal de Tabuaço, deputado à Assembleia Nacional Constituinte de 1911, Presidente da Câmara dos Deputados e Ministro da Marinha. Foi um dos grandes defensores da causa do Douro, tendo assinado o Manifesto de Novembro de 1890 (no rescaldo do Ultimato Inglês), integrado o movimento dos paladinos do Douro, dinamizado o movimento regional de defesa da marca “Porto” e o primeiro a afirmar a necessidade de proceder à regulamentação do sector dos vinhos de mesa do Douro.